- Alô!
- Oi...
- Quem fala?
- Pra quem você ligou?
- Liguei pra Marya
- Aqui é a Marya, quem é?
- Sou eu, a Ana!
- Nossa!!! Que voz diferente menina!
- Pudera né! Hoje quando abri os olhos, senti que o dia prometia...
- O que aconteceu? Tá triste?
- Estou confusa.
- Conta o que aconteceu?
- Acordei, olhei o relógio na cabeceira da cama, eram 6 horas. O sufoco começou por aí, afinal eu acordo às 6 h e 45 m e não as 6 horas... Puxa acordei 45 minutos antes...
- Tá assim porque acordou mais cedo?
- Não! Espera, eu terminar de contar, tá bom!?
- Ta né!
- Eu levantei, fui ao banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto e...
- Ah... O que há de novo nisso?
- Quando eu estava terminando de lavar o rosto a campainha tocou, me enxuguei às pressas e saí correndo do banheiro rumo a porta da sala, tropecei na almofada, que estava no chão e quase cai encima da mesa de centro, aquela de vidro, que quebrei na mudança passada e que ficou uma fortuna pra arrumar.
- Quebrou a mesa de novo?
- Você não presta mesmo atenção no que eu falo né!
- Claro que presto, você que é muito detalhista, poxa vida!
- A mesa não quebrou, eu que quase cai em cima dela, mas me equilibrei a tempo de evitar o pior. Então destranquei a porta, e abri sem ter o cuidado de perguntar quem era, aquela hora da manhã. Também não ia adiantar nada, pois o que vi foi um homem caído na soleira, corri o olhar em volta e constatei que não havia mais ninguém, além do homem caído.
- E aí?
- Abaixei-me e toquei o homem com os meus dedos, senti que estava rígido e frio. Era um cadáver, menina!!!
- Um cadáver!?
- Sim! Um cadáver! E o pior é que era o seu Manoel da padaria que estava ali caído, morto, durinho...
- Aquele senhor de bigodes longos, simpático e que vivia te mandando pão de graça?
- O que você quer dizer com isso?!
- Nada, ué! Mas que ele mandava , ele mandava!
- É, mas era só isso, viu.
- Tá! O homem tava morto? Morreu do que? O que você fez?
- Corri para o telefone e liguei pra central de policia.E depois fiquei aguardando do lado do corpo e do pão.
- Que pão?
- O que seu Manoel tava indo em casa levar quando teve um infarto fulminante e morreu .
- Nossa!!! E agora?!
- E agora? Vou precisar depor e ficar sem o pão delicioso do seu Manoel...
- Há! Eu bem que desconfiei que você tinha algo com ele.
- Não! Eu não tinha! Só gostava dos pães que ele fazia... Bom, vou desligar, pois preciso ir ao velório .
-Tá bom, depois a gente se fala...
tum...tum..tum...
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